domingo, 13 de dezembro de 2015

Barreiras para a prática de atividade física para portadores de AIDS

      Considerando que a prática regular de atividade física está relacionada com a prevenção e tratamento de diversas doenças (KESANIEMI, 2001; PHYSICAL ACTIVITY GUIDELINES ADVISORY COMMITEE, 2008), a adoção dessa estratégia pode favorecer, também, portadores do vírus HIV ou, ainda, da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS), uma doença que compromete o sistema imunológico afetando principalmente as células linfócitos T CD4 (INTRODUÇÃO à Aids..., 2011; BRASIL, 2011).
      Nesse sentido, a prática regular de atividade física está associada inversamente com a carga viral (BOPP et al., 2004), contribuindo para a desaceleração da progressão da doença (MUSTAFA et al., 1999; PALERMO; FEIJÓ, 2003) mediante a melhoria da condição cardiopulmonar (ROJAS; SHILICHT; HAUTZINGER, 2003) e funcional (PALERMO; FEIJÓ, 2003), além de atenuar a lipodistrofia relacionada ao uso da terapia antirretroviral (SEGATTO et al., 2011). Apesar desses importantes benefícios, um baixo nível de atividade física habitual tem sido relatado nessa população (EIDAM et al., 2006; GUARIGLIA et al., 2007).
     Os fatores que dificultam ou impedem a prática da atividade física em portadores de HIV/AIDS até o presente momento são desconhecidos, o que dificulta sobremaneira o estabelecimento de estratégias de intervenção que favoreçam o hábito da prática de atividade física regular nessas populações. Tais fatores têm recebido a denominação de barreiras como, por exemplo, falta de dinheiro, falta de tempo, falta de companhia, sentir-se velho demais, entre outras (MARTINS; PETROSKI, 2000; REICHERT, 2004).
     As barreiras mais relatadas foram preguiça ou cansaço e a falta de companhia, ambas com mais de 40% de prevalência. Por outro lado, as barreiras menos relatadas foram sentir-se “velho” e não ter tempo livre, com uma prevalência de 14,3%. Entre as mulheres, a falta de companhia (63,1%) foi a barreira mais relatada e que apresentou maior associação com as variáveis independentes analisadas, seguida pela barreira preguiça ou cansaço (52,6%). Esta última foi a principal barreira reportada pelos homens (43,8%), seguida pela falta de companhia, lesão ou doença e sentir-se “velho” (25%).
     Sentir preguiça e cansaço foi a barreira mais relatada e associada aos mais jovens (66,7%), seguida pela falta de companhia (44,4%). Entre os mais velhos, as barreiras mais frequentemente reportadas foram lesão ou doença e medo de se machucar (53%), sendo esta última associada à faixa etária 45-64 anos. Considerando a classe econômica, a barreira preguiça e cansaço foi a mais relatada entre os indivíduos das classes econômicas B e C, enquanto as barreiras falta de companhia, lesão ou doença e medo de se machucar foram as mais relatadas entre os indivíduos das classes econômicas D-E, sendo identificadas em 50% dos casos.  As principais barreiras pessoais percebidas para prática de atividade física na amostra de portadores de AIDS no município de Londrina, Paraná, Brasil foram sentir preguiça ou cansaço seguida pela barreira falta de companhia.
    Acredita-se que as sensações de preguiça ou cansaço possam estar relacionadas em grande parte aos efeitos colaterais da utilização de medicamentos antirretrovirais utilizados para o tratamento da AIDS. Vale ressaltar que o uso de medicamentos do tipo inibidores da transcriptase reversa análogos nucleosídeos (ITRN) levam à toxicidade mitocondrial, provocando baixa produção de energia e aumento da produção de lactato (BRASIL, 2008).      A barreira não ter tempo livre foi uma das barreiras menos relatadas, apesar de ser uma das barreiras pessoais mais frequentemente relatadas em estudos que envolvem diferentes populações, em particular, no Brasil (REICHERT et al., 2007; SEBASTIÃO, 2009). Esse fato pode ser justificado pela característica do grupo estudado, visto que aproximadamente 60% dos participantes relataram não estar envolvidos com trabalho remunerado. Por outro lado, o trabalho doméstico ou cuidados com a sua saúde ou a com a saúde de familiares, ao longo dos últimos 12 meses, foram as principais ocupações reportadas.
      Dentro das barreiras adicionais percebidas para prática de atividade física na amostra de portadores de AIDS relatadas, observamos preocupação com a estética, sobretudo, entre as mulheres. Este fato pode ser explicado por alguns efeitos colaterais observados na morfologia corporal, tal como a lipodistrofia (GUIMARÃES et al., 2007; BRASIL, 2008; MUNHOZ, 2011), caracterizada pelo acúmulo e/ou perda de gordura em algumas regiões do corpo (face, pescoço, braços, pernas, glúteos e abdome), induzida pela utilização da terapia antirretroviral para o tratamento da doença.
      Pode-se verificar a necessidade do aumento do nível de atividade física habitual principalmente nos momentos de lazer em portadores de AIDS. Adicionalmente, sugerem a necessidade de se promover a prática de atividades coletivas que favoreçam a integração e socialização dessas pessoas, visto que a falta de companhia para a prática de atividade física regular foi uma das principais barreiras relatadas pelos sujeitos investigados.
            As barreiras encontradas parecem guardar relação com os sintomas percebidos e, também, com os efeitos colaterais provocados pela medicação utilizada para o controle/tratamento da doença.
      Por fim, acredita-se que o desafio de tornar os portadores de AIDS fisicamente ativos possa favorecer a redução dos níveis de ansiedade e depressão, bem como contribuir para o aumento da adesão a terapia antirretroviral, visto que a prática regular de atividade física pode minimizar os efeitos colaterais induzidos pelas drogas utilizadas no controle/tratamento dessa doença.






REFERÊNCIAS



 RIBEIRO, Adriana Ramos Alves; GUARIGLIA, Débora Alves; PUPULIN, Aurea Regina Telles; TEXEIR, Denilson de Castro; GUEGUOL, Marcia; CYRINO Edilson Serpeloni: Barreiras pessoais para a prática de atividades física percebida por portadores de AIDS. Rev. Educ. Fis/UEM, v. 24, n. 1, p. 93-101, 1. trim. 2013



BOPP, C. M. et al. Physical activity and immunity in HIV- infected individuals. AIDS Care, Oxford, v. 16, n. 3, p. 387-393, 2004.


BRASIL. Ministério da Saúde. Aprenda sobre HIV e AIDS. Departamento de DST e Aids. 2011. Disponível em: <http://www.aids.gov.br>. Acesso em: 30 abr. 2011.


GUIMARÃES, M. M. M. et al. Distribuição da gordura corporal e perfis lipídico e glicêmico de pacientes infectados pelo HIV. Arquivos Brasileiros de Endocrinologia & Metabolismo, São Paulo, v. 51, n.1, p. 42-51, 2007. INTRODUÇÃO à Aids. 2011. Disponível em: <http://www.webciencia.com/10_aids.htm/>. Acesso em: 30 abr. 2011.


MUNHOZ O. Alterações anatômicas e/ou metabólicas (síndrome lipodistrófica) em portadores do HIV/AIDS. 2011. Disponível em: <http://www.aids.gov.br/sites/default/files/alteracoes_anatomicas_metabolicas.pdf>. Acesso em: 30 abr. 2011.


PHYSICAL ACTIVITY GUIDELINES ADVISORY COMMITTEE. Physical activity guidelines advisory committee report, 2008. Washington, DC: U.S. Department of health and human services, 2008. Disponível em: <http://www.health.gov/paguidelines/Report/pdf/CommitteeReport.pdf>. Acesso em: 30 abr. 2011.

REICHERT, F. F. et al. The role of perceived personal barriers to engagement in leisure-time physical activity. American Journal of Public Health, New York, v. 97, no. 3, p. 515-519, 2007.

SEBASTIÃO, E. Nível de atividade física e principais barreiras percebidas por indivíduos adultos: um levantamento no município de Rio Claro-SP. 2009. Dissertação (Mestrado) - Universidade Estadual Paulista, Rio Claro, 2009.


GUIMARÃES, M. M. M. et al. Distribuição da gordura corporal e perfis lipídico e glicêmico de pacientes infectados pelo HIV. Arquivos Brasileiros de Endocrinologia & Metabolismo, São Paulo, v. 51, n.1, p. 42-51, 2007. INTRODUÇÃO à Aids. 2011. Disponível em: <http://www.webciencia.com/10_aids.htm/>. Acesso em: 30 abr. 2011.

5 comentários:

  1. A AIDS,transmitida pelo o vírus da imunodeficiência humana(HIV) é uma doença crônica com expectativa de vida cada vez mais ampliada para estas pessoas.No que se refere a um ponto positivo no tratamento dessa doença,podemos citar a contribuição da pratica da atividade física que apresenta como uma ferramenta terapêutica na manutenção e melhora da saúde e na qualidade de vida desses indivíduos. Em se tratando na interferência das barreiras para a prática de atividade física para essa população, pode ser consideradas dentre elas, a falta de companhia,o cansaço, a preguiça e a propria medicação que pode agravar a uma indisposição.Barreiras estas que tem relação com a condição clínica e caracteristicas da doença. É importante enfatizar que surjam estrategias que sejam adotadas para a promoção de atividade física,em importância para pacientes diagnosticados há mais tempo.Não so tratando de recomendações para a prática de atividades físicas mais também com os cuidados necessários que se deve ter com essa população bem como a viabilização do acesso e ambiente(físico e social) favorável.

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  3. Diante das barreiras citadas no texto como:preguiça ou cansaço,falta de companhia, falta de tempo, é preciso saber da importância dos exercícios físicos principalmente aos soropositivos,pois já que a pratica de exercício físico aumenta a disposição, a autoestima, aliviar o estresse, melhora a depressão,alem de outros benefícios para a saúde como aumenta a capacidade funcional, força e resistência muscular, atenua a perda de massa corporal, melhora o sistema cardiopulmonar,estimula o sistema imunológico retardando o avanço da infecção viral e tornando mais lenta a progressão da doença.Desse modo é importante ter orientação médica e encontrar estrategias para enfrentar essas barreiras,para assim incluir a pratica de exercício físico diante dos benefícios que este promove.
    Grupo: Câncer e Exercício Físico

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  4. Como abordado no texto, a maior barreira presente é a falta de companhia para a prática de exercícios, no que isso irá provocar um sedentarismo, de certo modo, já que o indivíduo irá prevalecer dentro de casa, sem o mínimo de exercício possivel.
    O uso do coquetel no tratamento da AIDS, irá provocar uma falta de disposição do individuo, assim como nos indivíduos esquizofrênicos, que utilizam de medicamentos que os deixam em um estado com uma má disposição e cansados.
    A atividade física é de suma importância para pacientes que passam por tratamentos fortes, pois atua melhorando tando a saúde, no caso da AIDS, amenizando os efeitos da doença, melhora a estética, já que muitos dos pacientes buscam uma melhora da mesma, e uma melhor inserção do indivíduo na sociedade, com uma melhor interação da mesma com os outros.
    Portanto a prática da mesma é muito importante para todos os indíviduos, principalmente para os pacientes em tratamento da AIDS, promovendo tanto a redução dos sintomas, como um combate a doenças psicológicas como a Depressão, havendo um lazer mais do portador da doença.

    Grupo: Exercício Físico e Mal de Parkinson.

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  5. Partindo das informações do texto acima, é importante salientar que é de grande importância a visita do paciente com AIDS ao médico responsável antes da prática de atividades físicas para que seja avaliada sua condição física. Feito isso, e tendo sido liberado para os exercícios, tem-se então a responsabilidade de escolher qual atividade praticar, sendo escolhida a que lhe melhor enquadre. A caminhada é uma ótima atividade aeróbica e que depende principalmente de quem vai praticar, sem grande custo benefício. É interessante que essa corrida seja praticada em local plano sem muitas subidas e descidas para uma melhor execução e um constante movimento,sem precisar correr, mas, uma velocidade mais rápida que o normal. Especialistas sugerem que se comece com 10 minutos de corrida diárias, e que ao longo do tempo aumente até que chegue a uns 30-45 minutos em uma frequência de 3 vezes por semana. Existem varias outras atividades físicas que também contribuem e muito para uma melhora em paciente soropositivo, tais como : dança. bicicleta, ginástica localizada, natação, hidroginástica, entre outros, e até mesmo a musculação como alternativa de exercícios com carga.

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