O sedentarismo, a incapacidade e a
dependência são importantes adversidades à saúde que, associadas ao
envelhecimento e a um possível declínio cognitivo (Volkow & cols., 1998;
Lyketsos, Chen & Anthony, 1999), contribuem para a perda de autonomia e
maior risco de institucionalização (Britto, Santiago, Elisa & Pereira,
2005). Por outro lado, a atividade física tem se tornado uma estratégia
simples, econômica e eficaz, tanto para diminuir os custos relacionados à saúde
quanto para melhorar a qualidade de vida, especialmente em idosos (Gobbi,
Villar & Zago, 2005). A literatura mostra que a atividade física potencialmente
pode atenuar um eventual declínio cognitivo ou mesmo revertê-lo, ainda que
temporariamente (Hopman-Rock, Staats, Tak & Dröes, 1999). A prática de
atividade física traz benefícios tanto para idosos não-demenciados (Cassilhas
& cols., 2007; Kramer & cols., 1999) quanto para demenciados
(Christofoletti, Oliani, Gobbi & Stella, 2007).
O baixo nível de atividade física pode ser
determinado por dois fatores: (a) pelos motivos declarados pelo indivíduo, ou
seja, barreiras percebidas à prática de atividade física (BPPAF) (Sallis &
Owen, 1999), que representam um fator negativo em seu processo de tomada de
decisão; e (b) pelo estágio de mudança de comportamento (EMC) em que estiver
(Pré-contemplação, Contemplação, Preparação, Ação e Manutenção), que reflete,
além do entendimento do indivíduo sobre o bem que a atividade física pode lhe
proporcionar , sua atitude em pôr em prática tal entendimento.
A percepção de barreiras à prática de
atividade física é modulada pela faixa etária e pelas particularidades da
população estudada. Com o passar dos anos, as BPPAFs mudam e o medo de lesões,
as limitações físicas, o desconforto, o isolamento social, o clima, as
barreiras arquitetônicas e a falta de tempo passam a ser mais frequentes
(Martins, 2000). Tais fatores devem ser considerados quando da implantação de
programas de atividade física em instituições de longa permanência para idosos.
A Organização Mundial de Saúde expressa, em suas diretrizes para promoção da
atividade física em idosos, as principais BPPAFs como sendo: a falta de
informação sobre atividade física e envelhecimento entre todos os membros da
sociedade, os estereótipos do envelhecimento, o baixo suporte social, os locais
inadequados, a história de má experiência com esportes, as atitudes negativas
com relação ao exercício e esportes, a percepção de desequilíbrio entre
dedicação e benefícios, os obstáculos sociais, os comprometimentos nas
condições de saúde, a fadiga e a falta de tempo (Gobbi, 1997). Dentre os
fatores acima citados, os mais importantes para a população institucionalizada
seriam: os comprometimentos nas condições de saúde e os obstáculos sociais.
Mais da metade de idosos
institucionalizados cognitivamente preservados não adotam comportamento
fisicamente ativo e nem cogitam adotá-lo. Isso é ainda mais surpreendente por
se tratar de idosos sem declínio cognitivo importante. Apesar de reconhecerem
que a atividade física é benéfica, apenas um quarto deles a prática
regularmente. Paradoxalmente à veiculação na mídia e das evidências científicas
dos benefícios da atividade física para a saúde, os idosos institucionalizados
apresentam como principais BPPAFs justamente fatores do domínio da saúde. Pelos
instrumentos de coletas de dados utilizados, foi observado que, além do baixo
nível de atividade física, havia a falta de disposição em praticá-la. Uma vez
que a ciência comprova a importância de se praticar atividade física,
independentemente da idade e da condição de saúde, torna-se necessário aplicar
estratégias para alterar tal quadro de inatividade física. Os achados deste
estudo permitem indicar que a promoção de atividade física para o idoso
institucionalizado deve, prioritariamente, focar a mudança do estágio de
Pré-Contemplação para os seguintes. Isso poderia ser feito, inicialmente, por
meio das seguintes estratégias: (a) reforçar a conscientização dos riscos do
sedentarismo, mesmo na presença de doença; (b) arranjar o ambiente que favoreça
percebê-lo como seguro; e (c) demonstrar que a prática de atividade física pode
ser feita sem gasto financeiro individual.
REFERÊNCIAS
MARTINS , M.O. (2000). Estudo dos fatores determinantes da prática
de atividades físicas de professores universitários. Dissertação de
Mestrado, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis.
GOBBI, S. (1997). Atividade física para pessoas idosas e recomendações da Organização Mundial
de Saúde de 1996. Revista Brasileira de Atividade Física e Saúde, 2, 41-49.
GOBBI,
S., VILLAR, R. & Zago, A. (2005). Bases teórico-práticas
do condicionamento físico.
Rio de Janeiro: Guanabara-Koogan.
CHRISTOFOLETTI
, G., OLIANI , M., GOBBI, S. & STELLA, F. (2007). Effects of motor intervention in elderly patients with dementia: an
analysis of randomized controlled trials. Topics in Geriatric and Rehabilitation, 23, 149-154.
