É emergencial a promoção da Pedagogia
contemplando a todos os sujeitos sociais,
e não de uma Pedagogia da pessoa com deficiência. Promover uma Pedagogia
da deficiência constitui uma das primeiras barreiras atitudinais percebidas no
âmbito da Educação.
As
barreiras atitudinais não são únicas, elas surgem à medida que a sociedade se transforma.
Assim, novos contextos deparam-se com novas barreiras que surgem de 4 diferentes
formas. No passado, contudo, as barreiras atitudinais não eram vistas como tais.
Falar, pois, dos estigmas e da
marginalização da pessoa com deficiência é refletir sobre um processo
socialmente construído desde a sociedade primitiva até a contemporaneidade.
Independentemente do período histórico, o homem tende a tomar como centro de
tudo seu próprio grupo de convivência; como consequência, o outro é pensado,
visto/sentido subjetivamente por meio de valores, modelos, definições pessoais
do que é a existência.
Segundo Rocha (1985, p. 8), no plano
intelectual, isso pode ser visto como a
dificuldade
de pensarmos a diferença; no plano afetivo, como sentimento de estranheza, medo,
hostilidade, etc. O fato é que, no contato com alguém que desestabiliza o que internalizamos
como normalidade, são misturados fatores intelectuais, racionais, emocionais e
afetivos que, muitas vezes, geram imagens e informações impróprias, disposições
psíquicas ou afetivas em relação à determinada pessoa ou grupo.
Do
início da civilização à pós-modernidade, o que mudou é que “a seleção natural
tomou uma nova forma: de seleção natural física, passou a ser uma seleção ‘natural’
social” (GLAT, 1995, p. 19). Sob essa lâmina, nega-se ao outro até o mínimo de
independência necessária para falar de si mesmo.
Na sociedade primitiva, os homens selecionavam
e eram selecionados pelos grupos quando atendiam aos requisitos de força,
agilidade, destreza, raciocínio rápido, etc. As pessoas que apresentavam essas
habilidades numa escala mais baixa sempre eram deixadas para trás. Na sociedade
atual, o processo é divergente? Ou mais, na vida intra-escolar, o processo é
distinto ou o olhar dos sujeitos contemporâneos continua a categorizar os
“bons” e os “fracos”? Essas são questões polêmicas, pois nos remetem a vários
movimentos ideológicos que permeiam os eventos sociais, dos mais simples (como
pedir uma informação a alguém) aos mais elaborados (como conseguir exercer uma
profissão, sem que as pessoas com deficiência sejam avaliadas, apenas e tão somente,
por sua deficiência).
As
barreiras atitudinais, porém, nem sempre são intencionais ou percebidas. Por assim
dizer, o maior problema das barreiras atitudinais está em não as removermos, assim
que são detectadas. Exemplos de algumas dessas barreiras atitudinais são a utilização
de rótulos, de adjetivações, de substantivação da pessoa com deficiência como
um todo deficiente, entre outras.
Também constituem barreiras atitudinais
na escola (ou em outros espaços
sociais)
aquelas que se apresentam na forma de:
· Ignorância:
desconhecer a potencialidade do aluno com deficiência.
· Medo:
ter receio de receber a um aluno com deficiência, ou mesmo a um outro
profissional
da Educação que apresente alguma deficiência; temer em “fazer ou dizer a coisa
errada” em torno de alguém com uma deficiência.
· Rejeição:
recusar-se a interagir com a pessoa com deficiência, um aluno, familiares deste
ou outro operador da educação.
· Percepção
de menos-valia: avaliação depreciativa da capacidade, sentimento deque o
aluno com deficiência não poderá ou só poderá em parte.
· Inferioridade:
acreditar que o aluno com deficiência não acompanhará os demais. Isso é
incorrer num grave engano, pois todas as pessoas apresentam ritmos aprendizagem
diferentes. Assim sendo, ninguém acompanha ninguém; cada um faz seu percurso
singularmente, mesmo a proposta docente sendo coletiva e una.
· Piedade:
sentir-se pesaroso e ter atitudes protetoras em relação ao aluno com
deficiência.
Estimular a classe a antecipar-se às pessoas com deficiência, realizando as atividades
por elas, atribuindo-lhes uma pseudo-participação.
· Adoração
do herói: considerar um aluno como sendo “especial”, “excepcional” ou “extraordinário”,
simplesmente por superar uma deficiência ou por fazer uma atividade escolar
qualquer; elogiar, exageradamente a pessoa com deficiência pela mínima ação realizada
na escola, como se inusitada fosse sua capacidade de viver e interagir com o grupo
e o ambiente.
· Exaltação
do modelo: usar a imagem do estudante com deficiência como modelo de
persistência e coragem diante os demais.
· Percepção
de incapacidade intelectual: evitar a matrícula dos alunos com
deficiência
na instituição escolar, não deixando que eles demonstrem suas habilidades e competências.
Achar que ter na sala de aula um aluno com deficiência é um fato que atrapalhará
o desenvolvimento de toda a turma.
· Efeito
de propagação (ou expansão): supor que a deficiência de um aluno afeta
negativamente
outros sentidos, habilidades ou traços da personalidade. Por exemplo, achar que
a pessoa com deficiência auditiva tem também deficiência intelectual.
· Estereótipos:
pensar no aluno com deficiência comparando-o com outros com
mesma
deficiência, construindo generalizações positivas e/ou negativas sobre as
pessoas com deficiência.
· Compensação:
acreditar que os alunos com deficiência devem ser compensados de alguma
forma; minimizar a intensidade das atividades pedagógicas; achar que os alunos com
deficiência devem receber vantagens.
· Negação:
desconsiderar as deficiências do aluno como dificuldades na
aprendizagem.
· Substantivação
da deficiência: referir-se à falta de uma parte ou sentido da pessoa como
se a parte “faltante” fosse o todo. Ex: o deficiente mental, o cego, o
“perneta”, etc. Essa barreira faz com que o aluno com deficiência perca sua
identidade em detrimento da deficiência, fragilizando sua auto-estima e o
desejo de aprender e estar na escola.
· Comparação:
comparar os alunos com e sem deficiência, salientando aquilo que o aluno
com deficiência ainda não alcançou em relação ao aluno sem deficiência,
colocando
este em posição superior ao primeiro. Na comparação, não se privilegiam os ganhos
dos alunos, mas ressaltam-se suas “falhas”, “faltas” e “deficiências”.
· Atitude
de segregação: acreditar que os alunos com deficiência só poderão
conviver
com os de sua mesma faixa etária até um dado momento e que, para sua
escolarização,
elas deverão ser encaminhadas à escola especial, com profissionais
especializados.
· Adjetivação:
classificar a pessoa com deficiência como “lenta”, “agressiva”,
“dócil”,
“difícil”, “aluno-problema”, “deficiente mental’”, etc. Essa adjetivação
deteriora
a identidade dos alunos.
· Particularização:
afirmar, de maneira restritiva, que o aluno com deficiência está
progredindo
à sua maneira, do seu jeito, etc.; achar que uma pessoa com deficiência só aprenderá
com outra com a mesma deficiência.
· Baixa
expectativa: acreditar que os alunos com deficiência devem realizar apenas atividades
mecânicas, exercícios repetitivos; prever que o aluno com deficiência não conseguirá
interagir numa sala regular. Muitos professores passam toda a vida propondo exercícios
de cópia, repetição. Isso não ajuda o aluno a descobrir suas inteligências, competências
e habilidades múltiplas.
· Generalização:
generalizar aspectos positivos ou negativos de um aluno com
deficiência
em relação a outro com a mesma deficiência, imaginando que ambos terão os
mesmos avanços, dificuldades e habilidades no processo educacional.
· Padronização:
fazer comentários sobre o desenvolvimento dos alunos, agrupando-os em torno
da deficiência; conduzir os alunos com deficiência às atividades mais simples,
de baixa habilidade, ajustando os padrões ou, ainda, esperar que um aluno com deficiência
aprecie a oportunidade de apenas estar na escola (achando que, para esse aluno,
basta a integração quando, de fato, o que lhe é devido é a inclusão).
· Assistencialismo
e superproteção: impedir que os alunos com deficiência
experimentem
suas próprias estratégias de aprendizagem, temendo que eles fracassem; não
deixar que os alunos com deficiência explorem os espaços físicos da escola, por
medo que se machuquem; não avaliar o aluno pelo seu desenvolvimento, receando
que ele se sinta frustrado com alguma avaliação menos positiva.
As barreiras atitudinais podem estar baseadas
em preconceitos explícitos ou a
eles
dar origem. como vimos, elas aparecem em nossa linguagem, tanto quanto em
nossas
ações ou omissões.
Identificar as barreiras atitudinais
contribuirá para erradicar ou, ao menos, minimizar o processo de exclusão
social, pois, ao tomarmos consciência do que fazemos, poderemos procurar meios
para a transformação coletiva e individual – desta dependerá a primeira.
Portanto, a escola que se deseja inclusiva deve trabalhar na perspectiva de
envolver todos na transformação constante do projeto políticopedagógico e
de cada pessoa como ser social e atuante.
As barreiras atitudinais não são
concretas, em essência, na sua definição, no
entanto,
materializam-se nas atitudes de cada pessoa. Com efeito, não há como
explicitar
todas as suas formas numa lei, mesmo porque não se têm classificados todos os
tipos de barreiras atitudinais. Esse é um desafio para as pessoas que se
preocupam com a educação, a sociedade e a inclusão.
A
inclusão só será concretizada eficientemente quando cada um de nós
reconhecer as
barreiras que nutrimos e buscar minimizá-las, erradicá-las. “A inclusão é uma
visão, uma estrada a ser viajada, mas uma estrada sem fim, com todos os tipos
de barreiras e obstáculos, alguns dos quais estão em nossas mentes e em nossos
corações” (MITTLER, 2003, p. 21).
REFERÊNCIAS:
LIMA, Francisco J.
; SILVA, Fabiana Tavares dos Santos: Barreiras atitudinais: obstáculos á pessoa
com deficiência na escola.
MITTER,
Peter. Educação inclusiva: Contextos sociais. Porto Alegre: Artmed,
2003.
ROCHA,
Everardo P. Guimarães. O que é etnocentrismo. 2. ed. São Paulo, 1985. 95
p.
GLAT, Rosana. Questões atuais em
educação - A integração social dos portadores de deficiências: uma
reflexão. Rio de Janeiro: Livraria Sette Letras, 1995.
É importante enfatizar que as pessoas com deficiência possui o direito de ser integrada na sociedade em diversas áreas,como na cultura,lazer,esporte,educação e trabalho. As barreiras atitudinais é encarada na sociedade em uma forma de ignorância,esquecimento,discriminação entre outras.No que se refere a um ensino de atitudes é um dever educativo que deve ser estimulada na escola,que evitará que os alunos produzam barreiras atitudinais, a escola mobiliza atitudes da formação de uma consciência inclusiva,no que se refere as relacões de aprendizagem na sala de aula e em todos os segmentos da escola,diante da pessoa com deficiência. As barreiras atitudinais presente no ambiente escolar se compõem como instrumento inibidores da diversidade humana. As barreiras e dificuldades que impedem a acessibilidade das pessoas com deficiência nos mais variados espaços, refoçam a ideia contraditoria na sociedade, ou seja, as pessoas que mais necessitam dos recursos de acessibilidade para sua locomoção, em muitos momentos ficam ausentes de participações no ambito social.A acessibilidade é uma das questões que envolvem um exercicio da cidadania pelas as pessoas com deficiência, muitas vezes, devido as dificuldades que encontram nos transportes publicos,na locomoção, entre outras barreiras, essas pessoas não praticam o diteito de ir e vir,o que leva a falta de participação nos diversos setores,da educação,transporte e lazer.
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ResponderExcluirImportante demonstrar e enfatizar os benefícios que tais atividades provocam no ser, tanto social, educativa e fisiológica. Provocando no ser a integração e de acordo com a NBR 9050/2004 "acessibilidade" que é definido como a possibilidade e condição de alcance, percepção e entendimento para a utilização com segurança e autonomia de edificações, espaço, mobiliário, equipamento urbano e elementos ou transformar o ambiente físico para a autonomia e liberdade de ir e vir de qualquer pessoa com deficiência, colocando rampas, deixando o chão apropriado (sem buracos e sem obstáculos), pisos táteis para cegos, identificação e mapas em braile e em libras, etc.
ResponderExcluirTais melhorias são previstas e exigidas em leis de diretrizes na educação, porem será que vemos isso na educação e no meio social-cultural ? O ambiente físico-social é um dos geradores dessas dificuldades que se impõem na sociedade, aonde esses obstáculos são amplas e foram bem destacadas na postagem. O que move essa integração é a base à inclusão e a quebra de um pré-conceito, que forma uma "parede" indiscriminada e mal formada, portanto os fatores de promoção a barreiras atitudinais no futuro não seja mais necessárias e falar sobre esses inclusões e atitudes seja algo natural e igualitária.
Mesmo com a grande promoção e adesão de tantos benefícios da atividade física para um público em geral, a pratica frequente da população ainda é muito baixa. Falando então de pessoas com deficiência, esse número se torna bem menor se tratando de ser fisicamente ativo. 650 milhões de pessoas vivem com algum tipo deficiência no mundo inteiro (dados de Wolrd Health Organization-2011). Segundo o IBGE (2010) 23,9% da população apresentam algumas deficiência de tipos específicos, sendo 25,73% deficiência motora e o dado que alarme, apesar de não ser oficial é a estimativa de que apenas 10% desse praticam atividade física regular ( soler, 2015 and Gutierres et al., 2010). Não é apenas a redução de condições secundárias oferecidas pela promoção de melhor qualidade de vida que a torna importante para uma pessoa com deficiência, mas também é de suma importância se tratando de redução com gastos do governo.
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