A estratégia global1 para alimentação,
atividade física e saúde preconiza que a adoção de hábitos alimentares
saudáveis e a prática de atividade física regular apresentam efeito protetor
para diversas patologias. A adoção de um estilo de vida saudável tem sido
altamente recomendada para a população, sendo a atividade física um foco de
atenção na promoção da saúde.
Tais mudanças de comportamento com vista
a adoção de estilo de vida ativo também tem sido preconizadas às mulheres no
período gestacional e posterior ao parto, destacando-se como fator de proteção
à saúde materna e fetal. Dentre os benefícios merecem destaque o adequado ganho
de peso gestacional e a menor retenção de peso pós-parto. Os períodos
gestacionais e pós-parto modificam o estilo de vida da mulher e representam um
momento oportuno para a promoção da atividade física e alimentação saudável
visando a benefícios futuros à saúde de ambos (binômio mãe-bebê).
A realização de atividade física no
puerpério deve ser iniciada aos poucos e
aumentada de forma gradual, especialmente nas primeiras seis semanas pós parto.
Após esse período, a mulher estará apta a seguir as recomendações de atividade
física para a população em geral. Estudos de intervenção promovendo a prática
da atividade física tem obtido pouco sucesso, visto que a manutenção da mesma
sofre redução com o tempo, indicando a necessidade de melhor compreensão do seu
significado por parte dessas mulheres e da capacidade de superar barreiras e
obstáculos.
A compreensão de possíveis fatores que
dificultam a prática regular de atividade física tem sido investigada através
das barreiras relatadas pelas mulheres. Como em diversos estudos, a falta de
tempo e o cuidado com os filhos foram as barreiras mais citadas em ambos os
grupos para explicar a não realização de atividade física regular. Destaca-se, ainda,
o comodismo, um fator pessoal que pode desmotivar a prática de atividade física.
Outros estudos detectaram o relato de cansaço das mães, problemas como insegurança,
falta de transporte e dinheiro.
Carter-Edwards et al. identificaram nas mulheres que não
participaram do programa a prioridade em outras atividades em detrimento da
própria saúde, destacando a falta de apoio da rede social. Ainda que no programa
Active Mothers Postpartum, as mulheres tenham relatado sentir os benefícios da prática
regular da atividade física, o cuidado com a(s) criança(s) e o trabalho foram
indicados como dificuldades a serem superadas.
Chang et al., analisaram os fatores
que motivaram comportamentos saudáveis, sendo relacionados com a aparência
física, desconforto físico, e preocupação com o desenvolvimento de doenças
relacionadas ao sobrepeso/obesidade, e de rede de apoio social. De modo
similar, as barreiras relatadas para a adoção de estilo de vida saudável
focaram as necessidades da criança, negligenciando-se os cuidados pessoais. Adicionalmente,
a baixa autoeficácia e autoestima e a falta de autocontrole e conhecimento,
principalmente em relação a comportamentos alimentares, são corroborados por Larson-Meyer,
em revisão da literatura, na qual identificou que o exercício moderado sem
restrição calórica não promove maior perda
de peso. Entretanto, mulheres com altos níveis de atividade física no período
pós-parto têm maior probabilidade de retornar ao seu peso pré-gestacional e
reter menos peso.
Essas barreiras refletem a natureza
multidimensional da mudança do ciclo de vida dessas mulheres. O apoio social pode motivar mudanças comportamentais
no estilo de vida e a manutenção que devem ser incluídas nas estratégias de
programas de intervenção. Os sentimentos acerca da maternidade, a autoeficácia
para exercitar-se e a intenção de fazer exercícios físicos foram produtores
positivos para a prática um ano após o parto.
Hilton e Olson supõem que as mulheres terão
maior probabilidade de exercitar-se regularmente se possuírem um plano e
estiverem confiantes em sua capacidade para a realização dos exercícios.
No período pós-parto, como observado,
ocorrem diversas modificações no cotidiano das mulheres, devido a maior necessidade
de cuidados com o bebê e consequente mudança do foco para o filho. Fatores como
autoestima, apoio social e conhecimento repercutem na adoção de um estilo de
vida saudável. Em consonância com Farinatti e Ferreira,
conclui-se que deve-se pensar em programas
que possibilitem a aquisição de conhecimentos conceituais e procedimentais para
a prática regular de exercício físico com autonomia. A proposição de programas
de intervenção deve considerar o ambiente físico e social, tornando-se um
facilitador na mudança/manutenção de comportamentos e na superação das
barreiras.
REFERÊNCIAS
SCARPA,
Simone Cristina; KURASHIMA, Carolina Hamuri;
TAKITO, Monica Yure : Impacto da
orientação para a prática regular de atividade física dois anos após o parto. Rev.
Bras. Saúde Matern. Infant., Recife, 12 (2): 155-164 abr. / jun., 2012
CARTER -Edwards L, Østbye T, BASTIAN LA, Yarnall KSH, KRAUSE
KM, Simmons TJ. Barriers to adopting a
healthy lifestyle: insight from postpartum women. BMC Res Notes. 2009; 2:
161-4. 27.
HINTON PS, OLSON CM. Postpartum exercise and food intake: the importance of behavior-specific
self-efficacy. J Am Diet Assoc. 2001; 101: 1430-7.22.
FARINATTI
P, Ferreira M. Saúde, promoção da saúde
e educação física. Rio de Janeiro: Ed. UERJ; 2006.
LARSON-Meyer DE. Effect
of postpartum exercise on mothers and their offspring: a review of the
literature. Obes Res. 2002; 10: 841-53. 29.
Outra barreira que pode ser relatada é a falta de informação tanto antes,durante e após a gestação sobre as devidas atividades que podem ser feita. Claro que também tem que existir interesse das mesmas,porém, existem médicos que orientam atividade leve como caminhada e condenam outras moderadas a intensas como a musculação, entretanto, estudos comprovam que qualquer tipo de atividade pode ser feita contando que esteja tudo bem com a mãe e com a criança. Tanto leve,moderada ou intensa, nenhuma atividade é prejudicial,trazendo até benefícios como a facilidade para ter parto normal, eficácia e rapidez na recuperação e cicatrização pós-parto e recuperação do peso antecedente a gestação mais provável.
ResponderExcluirPrimeira barreira a ser considerada pós-parto é o tipo de parto realizado e as capicidades e limitações da mulher,verificando assim com quantos dias depois podera ser retornada as atividades fsicas e como elas devem ser praticas, assinalando que este retorno deve estar alinhado com o medico capaz de indicar ou contraindicar as atividades.Pois a recuperaçao de um parto é um processo lento e a mulher precisa aguardar ate que o seu corpo volte a ser o que era antes da gravidez. Outros pontos que se mantem contra programas de exercicios fisicos durante essa fase são consideradas a falta de tempo pois a mulher precisa se organizar diante de uma nova vida, ter pouca renda e não ter uma indicação medica. É possivel que se tenha uma rotina de exercicios regulares depois da gravidez, contanto que seje praticado dentre de suas limitações, a atividade fisica proporciona uma série de beneficios,movimentar-se após o parto pode tonificar e recompor músculos muitos exigidos durante a gravidez e no parto como os abdominais, assim também pode evitar o estresse e a ansiedade e dar mais disposição e força para a mulher encarar a vida de mãe.
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ResponderExcluirHá possibilidade na manutenção de exercícios físicos durante e após a gravidez, contanto que haja acompanhamento medico e de um profissional de educação física, para que essas atividades possam ser praticadas dentro dos seus limites, proporcionando tanto a saúde da gestante quanto a saúde do bebe. Os exercícios dão mais disposição às mulheres, ajudam a dormir melhor, combatem a obesidade e as dores no corpo, inclusive as dores na hora do parto, facilitando a contração uterina para a expulsão do bebê, portanto é necessária a superação dessas barreiras que dificultam a prática de exercícios pós parto, pois esses trazem uma série de benefícios a gestante e a seu bebê. Podemos exemplificar a caminhada como um importante exercício físico para da inicio ao retorno das atividades físicas pós parto.
ResponderExcluirDiante das diversas barreiras que foi citado no texto é importante sabermos que a prática de atividade física após o parto é fundamental pois ajuda o corpo a recuperar o ritmo de algumas funções, como a circulação e o funcionamento do intestino.Além disso Após o parto, movimentar-se significa ainda tonificar e recompor músculos muito exigidos durante a gravidez e no parto, como os abdominais e os pélvicos, assim como neutralizar o estresse e a ansiedade.Porem o tempo de retorno para a atividade física após o parto é muito relativo, pois cada mulher reage de uma forma diferente à gravidez. Desse modo as ex-gestantes devem procurar um obstetra antes de começar qualquer exercício físico pós-parto.
ResponderExcluirGrupo: Câncer e Exercício Físico