domingo, 29 de novembro de 2015

      O sedentarismo, a incapacidade e a dependência são importantes adversidades à saúde que, associadas ao envelhecimento e a um possível declínio cognitivo (Volkow & cols., 1998; Lyketsos, Chen & Anthony, 1999), contribuem para a perda de autonomia e maior risco de institucionalização (Britto, Santiago, Elisa & Pereira, 2005). Por outro lado, a atividade física tem se tornado uma estratégia simples, econômica e eficaz, tanto para diminuir os custos relacionados à saúde quanto para melhorar a qualidade de vida, especialmente em idosos (Gobbi, Villar & Zago, 2005). A literatura mostra que a atividade física potencialmente pode atenuar um eventual declínio cognitivo ou mesmo revertê-lo, ainda que temporariamente (Hopman-Rock, Staats, Tak & Dröes, 1999). A prática de atividade física traz benefícios tanto para idosos não-demenciados (Cassilhas & cols., 2007; Kramer & cols., 1999) quanto para demenciados (Christofoletti, Oliani, Gobbi & Stella, 2007).
      O baixo nível de atividade física pode ser determinado por dois fatores: (a) pelos motivos declarados pelo indivíduo, ou seja, barreiras percebidas à prática de atividade física (BPPAF) (Sallis & Owen, 1999), que representam um fator negativo em seu processo de tomada de decisão; e (b) pelo estágio de mudança de comportamento (EMC) em que estiver (Pré-contemplação, Contemplação, Preparação, Ação e Manutenção), que reflete, além do entendimento do indivíduo sobre o bem que a atividade física pode lhe proporcionar , sua atitude em pôr em prática tal entendimento.
     A percepção de barreiras à prática de atividade física é modulada pela faixa etária e pelas particularidades da população estudada. Com o passar dos anos, as BPPAFs mudam e o medo de lesões, as limitações físicas, o desconforto, o isolamento social, o clima, as barreiras arquitetônicas e a falta de tempo passam a ser mais frequentes (Martins, 2000). Tais fatores devem ser considerados quando da implantação de programas de atividade física em instituições de longa permanência para idosos. A Organização Mundial de Saúde expressa, em suas diretrizes para promoção da atividade física em idosos, as principais BPPAFs como sendo: a falta de informação sobre atividade física e envelhecimento entre todos os membros da sociedade, os estereótipos do envelhecimento, o baixo suporte social, os locais inadequados, a história de má experiência com esportes, as atitudes negativas com relação ao exercício e esportes, a percepção de desequilíbrio entre dedicação e benefícios, os obstáculos sociais, os comprometimentos nas condições de saúde, a fadiga e a falta de tempo (Gobbi, 1997). Dentre os fatores acima citados, os mais importantes para a população institucionalizada seriam: os comprometimentos nas condições de saúde e os obstáculos sociais.
     Mais da metade de idosos institucionalizados cognitivamente preservados não adotam comportamento fisicamente ativo e nem cogitam adotá-lo. Isso é ainda mais surpreendente por se tratar de idosos sem declínio cognitivo importante. Apesar de reconhecerem que a atividade física é benéfica, apenas um quarto deles a prática regularmente. Paradoxalmente à veiculação na mídia e das evidências científicas dos benefícios da atividade física para a saúde, os idosos institucionalizados apresentam como principais BPPAFs justamente fatores do domínio da saúde. Pelos instrumentos de coletas de dados utilizados, foi observado que, além do baixo nível de atividade física, havia a falta de disposição em praticá-la. Uma vez que a ciência comprova a importância de se praticar atividade física, independentemente da idade e da condição de saúde, torna-se necessário aplicar estratégias para alterar tal quadro de inatividade física. Os achados deste estudo permitem indicar que a promoção de atividade física para o idoso institucionalizado deve, prioritariamente, focar a mudança do estágio de Pré-Contemplação para os seguintes. Isso poderia ser feito, inicialmente, por meio das seguintes estratégias: (a) reforçar a conscientização dos riscos do sedentarismo, mesmo na presença de doença; (b) arranjar o ambiente que favoreça percebê-lo como seguro; e (c) demonstrar que a prática de atividade física pode ser feita sem gasto financeiro individual.





REFERÊNCIAS

MARTINS , M.O. (2000). Estudo dos fatores determinantes da prática de atividades físicas de professores universitários. Dissertação de Mestrado, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis.
GOBBI, S. (1997). Atividade física para pessoas idosas e recomendações da Organização Mundial de Saúde de 1996. Revista Brasileira de Atividade Física e Saúde, 2, 41-49.

GOBBI, S., VILLAR, R. & Zago, A. (2005). Bases teórico-práticas do condicionamento físico. Rio de Janeiro: Guanabara-Koogan.


CHRISTOFOLETTI , G., OLIANI , M., GOBBI, S. & STELLA, F. (2007). Effects of motor intervention in elderly patients with dementia: an analysis of randomized controlled trials. Topics in Geriatric and Rehabilitation, 23, 149-154.

4 comentários:

  1. A prática de atividade físicar regular não estruturada, exercida na vida diária, e a participação de exercicios físicos oferecem beneficios que são importantes para evitar o declinio físico,piscológico e social comuns ao processo de envelhecimento. A inatividade física no idoso acelera a perda de esforço,flexibilidade,equilibrio e resistência cardiovascular,levando ao declinio funcional,aumento dos problemas de saúde. A pratica de atividade física pode ser influenciada de forma negativa ou positiva,por diversos fatores,quando os fatores influenciam de maneira negativas eles são denominados barreiras negativas e quando infuenciadas de maneira positiva sao considerados facilitadores positivos.Uns dos fatores de barreiras associadas a pratica de atividade fisica é o fato de possuir lesões ou incapacidade física,saúde ruim e sentir-se muito velho.Diante da importância da atividade física para saúde,autonomia e qualidade de vida de um indivíduo,há a necessidade de incentivar um padrão de vidaativo entre a população de forma geral,especialmente entre o público idoso,cuja prevalência de inatividade física é alta e que,somada a incidência de doenćas crônicas nesse grupo pode levar a um declinio funcional de especial relevancia.

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  3. Além disso, o Centro Nacional de Estatística para a Saúde estima que cerca de 84% das pessoas com idade igual ou superior a 65 anos são dependentes e carecem de ajuda pra realizar as suas atividades cotidianas.
    As barreiras relacionadas a prática de atividade física muitas das vezes se referem a alguma doença, lesão ou incapacidade que dificulta ou impede essa prática. O melhor modo de otimizar e promover a saúde no idoso é a prevenção dessas barreiras, principalmente, as doenças cardiovasculares, consideradas as principais causas de morte nessa faixa etária. Além disso, a incapacidade ligada ao envelhecimento, tem como as principais causas: doenças crônicas, doenças cardiovasculares, fraturas, entre outras. As barreiras presentes em indivíduos com idade avançada, também são: falta de equipamento, de local, de segurança, de clima adequado, entre outros.
    A implantação de estratégias de prevenção, como a prática de ativididade física regular, pode contribuir para melhorar e minimizar essa incapacidade. A atividade física regular melhora a força, a massa muscular e a flexibilidade articular, nesses indivíduos.

    GRUPO: Exercício Físico e Mal de Parkinson

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  4. Essas barreiras podem ser acentuadas pelo fato de membros do grupo familiar não têm o habito de praticar atividade física. A situação econômica também é uma barreira para a maioria da população idosa que ainda cuidam do lar, saliento a importância das campanhas públicas como academias abertas a população e uso da mídia para alertar os riscos e benefícios do exercício físico. Em relação ao envelhecimento, o exercício físico retarda seus efeitos. O aumento do tônus muscular, melhoria no sistema respiratório e cardiovascular, melhor deposição de cálcio nos ossos evitando assim a osteoporose e outras doenças relacionadas. A ação hormonal apesar de ter uma baixa pode ser retardada, e evidenciando a endorfina, que é analgésica e dar sensação de relaxamento e prazer, uma fator de extrema importância contra a depressão pois o ser sente-se mais disposto e independente para a atividades diárias.

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